2009 - Até onde dá para ir com uma 16 pés ?

No caso da família Caetano, eles foram longe. Muito longe ... “Até onde podemos ir com um barquinho desses?”, perguntou para si mesmo meu pai, o “Seu” Caetano, quando compramos nossa primeira lanchinha, uma tímida 14 pés usada e com um motor que não funcionava. Na verdade, não fomos a lugar algum. Já no primeiro dia de “teste”, meu pai e meu irmão ficaram a deriva na praia, porque o motor simplesmente não pegou. Quase foram levados pela correnteza e nem pensaram em jogar a âncora, porque sequer sabiam o que era uma âncora! Foram salvos pelo reboque de outra lancha e levados para uma marina. E ali começou, de fato, nossa história.


O ano era 1994 e meu pai, agora já com certo ar de experiência náutica, saiu à cata de um mecânico especializado. O diagnóstico, porém, foi desolador: aquele motor não tinha mais jeito. Teria que ser substituído por outro. Pensei que ele ia desistir ali mesmo da história de ter um barco, mas, que nada! Felizmente, eu estava muito enganada.


À medida que os dias se passavam, meu pai conversava cada vez mais sobre barcos e ganhava novos conhecimentos sobre o mundo náutico. Soube, então, que haveria o Salão Náutico de São Paulo e se programou para visitá-lo. Antes, porém, pôs a venda a tal lanchinha de 14 pés, jamais usada por nós. Compraríamos um barco novo. E novo!


No primeiro dia de feira, lá estava ele pelos corredores, de olho em algo que coubesse no nosso bolso. Saiu com uma lanchinha de 16 pés, toda branquinha, novinha e – mais importante ainda – com um motor que funcionava! A partir daí, meu pai já havia aprendido o que era salvatagem, que um barco precisava ser inscrito na Capitania dos Portos e que ele mesmo precisava de habilitação específica. Nossa lanchinha foi entregue meses depois e ele foi buscá-la, a reboque. Com exceção de uma almofada do sofá que voou na estrada, deu tudo certo. E no final de semana seguinte, enchemos o porta-malas do carro com coletes, cordas, bóias, pés de pato, varas de pesca e toda a tralha náutica que tínhamos comprado e fomos à estréia do nosso barco. Eu tinha 15 anos e, em minha homenagem, a lancha foi batizada com meu nome: Mirian.


Aquele verão foi inesquecível. Com nossa lanchinha, conhecemos muitas praias, aprendemos a esquiar, nos aventuramos em pescarias e a família ficou ainda mais unida. Depois, evoluímos. Após a Mirian, veio a Chuá, de 19 pés, a Mariana, de 25, a Tô Suave, a Bicho D´Água, a Nega, a Dinha, e a atual Mariana, uma Carbrasmar de proa aberta, que é um excelente barco de pesca, por sinal.


Mas, no final da década de 90, nossas finanças foram seriamente abaladas por mais uma das muitas crises econômicas brasileiras. Entre vender nosso pequeno barquinho ou a casa, meu pai resolveu dar uma virada – e optou pela segunda hipótese. Vendeu a casa e, com o dinheiro, comprou um terreno na beira do Rio Juqueriquerê, em Caraguatatuba, no litoral paulista, dizendo que ali construiria uma marina – até como forma de guardar nosso próprio barquinho... E fez mesmo! O mais incrível é que todos (minha mãe, inclusive!) foram unânimes na aprovação na decisão do meu pai. Estávamos, de fato, encontrando nosso mundo.


Hoje (2009), já estamos no decimo ano da Marina Porto do Rio, que já soma quase 100 barcos guardados e todos bem maiores do que aquela simples 16 pés, que deu origem a tudo. Quem disse que não dá para ir longe com um barco pequeno?

* Mirian Caetano é técnica em meteorologista, mas o que gosta mesmo é de sair de barco, sempre que o tempo permite. (Outubro de 2009).





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